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O homem cordial e as confusões entre a esfera pública e a privada.

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Para pensar o Brasil sob o viés da análise social,  é imprescindível a utilização de obras que abordam a sociedade brasileira e as transformações sofridas por ela.

A análise feita na obra “Raízes do Brasil” (1936) por Sérgio Buarque de Holanda, um dos maiores sociólogos brasileiros, traz um excelente panorama do século XX; entre vários outros temas, aborda as confusões entre público e privado, que servem para justificar em boa parte os problemas de administração e da integridade do governo que existem até hoje.

Sérgio Buarque instituiu no capítulo V a definição do que é o brasileiro a partir das definições do que é o “Homem Cordial: dominado pelo coração e pelas emoções, um indivíduo que possui extrema dificuldade de se desvincular dos laços familiares a partir do momento que se torna um cidadão, visto que suas vontades particulares predominam sobre o coletivo.”

Ao ser analisada, constata-se que tal definição pode ser estudada como um dos pontos  que contribuem para que problemas de gestão surjam, isto é, a esferas não apresentam uma clara distinção e o governo muitas vezes confunde-se com a família, provocando assim uma mistura de interesses.

Essa mistura de interesses pode ser vista  em vários aspectos que  diariamente então presentes nos  noticiários: problemas de corrupção, desvios de dinheiro, governantes que utilizam o dinheiro público para satisfazer vontades pessoais, empresas privadas que financiam eleições para garantirem benefícios, casos de nepotismo, entre tantas outras manifestações ilegais e desonestas que exemplificam essa realidade.

A “cordialidade” surge da valorização das afinidades e intimidades concebidas nos laços da família patriarcal, como uma possibilidade de diminuir fronteiras hierárquicas e infringir as próprias leis.

O brasileiro portanto, formou-se por essas bases, desde a chegada da família real em 1808 até os dias mais recentes, ressaltando que: a crítica apresentada não entende-se por aceitar um complexo de vira- lata, mas por tentar entender as origens dos problemas que perpetuam na sociedade e que atualmente fazem parte do cotidiano da população, visto que é cada vez mais comum a descoberta de crimes de corrupção que quando analisados na maioria das vezes tem suas origens relacionadas ao atendimento de interesses pessoais através do poder público.

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